20/01/2022

O que é sexualidade?

O QUE É SEXUALIDADE?

A sexualidade é um tema rodeado de dúvidas, mitos e tabus que muitas vezes são passados de geração em geração. Esses conceitos podem provocar consequências perigosas como disseminação de informações falsas e preconceito. Muitas pessoas não entendem o que é sexualidade ou simplesmente não querem entender o que de fato acontece durante o processo da construção da sexualidade, e muito menos o que isso implica na sociedade, principalmente para minorias sexuais, o que por sinal vai muito além do sexo.

Se você não sabe o que é e entende que chegou a hora de descobrir, não se preocupe! Neste artigo, nós separamos tudo o que você precisa saber para entender de uma vez por todas o que é sexualidade.

 

O QUE SIGNIFICA SEXUALIDADE?

A Organização Mundial da Saúde define que a sexualidade “faz parte da personalidade de cada um, sendo uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, portanto, a saúde física e mental".

Quando falamos em sexualidade é comum que esse termo seja associado a uma relação única e exclusiva de reprodução. Mas precisamos compreender que as vivências relacionadas à sexualidade são configuradas de maneiras singulares, em contextos sociais diversos e com mudanças através dos períodos históricos.

Por isso, tem ocorrido cada vez mais movimentos entre os pesquisadores e estudiosos para afastar esse conceito (um tanto quanto retrógado) de reprodução animal associada ao sexo. 

De fato, é preciso analisar fatores biológicos para ter certas respostas sobre o que é sexualidade, mas ela também pode sofrer fortes interferências externas através do ambiente sociocultural e religioso em que o indivíduo está inserido.

 

QUANDO A SEXUALIDADE É DEFINIDA?

Biologicamente, a definição da nossa sexualidade teria início com a chegada da puberdade ou adolescência, o que geralmente acontece por volta dos 12 anos de idade. Mas, na prática, isso não é uma regra e cada vez mais tem se observado variações nesse sentido

Em casos de minorias sexuais (LGBT+) por exemplo, estudos apontam que os adultos da comunidade experimentaram sua primeira atração sexual por pessoas do mesmo sexo, por volta dos 8 ou 9 anos, outras pesquisas, entretanto, apontam  que essa atração apenas se desperta perto dos 11 anos de idade. 

A definição pode mudar de acordo com o contexto social e histórico, um exemplo disso é que os jovens de hoje passam a assumir sua orientação sexual durante o ensino médio, o que é muito mais cedo que as gerações passadas. Isso acontece principalmente porque hoje existe um maior acolhimento, consciência e aceitação social de pessoas LGBT+.

Esse exemplo confirma o que especialistas dizem: a sexualidade está suscetível a mudanças culturais e sociais e não existe uma idade específica para que o indivíduo entenda sua orientação sexual. Existem casos de pessoas com sexualidade fluida e que descobrem no futuro uma orientação diferente.

 

COMO FUNCIONA ESSA "ESCOLHA"?

Escolha ou opção não é um termo correto. Até porque se você é heterossexual também não escolheu sentir atração pelo sexo oposto, certo? Isso também não acontece com quem se atrai pelo mesmo sexo, ainda mais quando um ato tão natural é demonizado e cercado por preconceitos, por isso, o termo correto a ser utilizado é orientação sexual.

Com certeza você já ouviu alguém dizendo para crianças do sexo masculino que elas não podem brincar de barbie porque “é coisa de menina”. O medo dos pais é que isso influencie as crianças e que as deixem mais suscetíveis a "seguirem" orientações sexuais que não sejam a heteronormativa no futuro.

Brinquedos, cores e ou programas de TV com personagens LGBT+, não possuem a menor influência na orientação sexual de ninguém. Até porque existem casos onde adultos da comunidade foram socializados por influências heteronormativas e não são heterossexuais, logo, essa associação não possui o menor sentido.

 

OS TIPOS DE SEXUALIDADE SEGUNDO A CIÊNCIA

A ciência e os estudiosos entendem que é preciso levar em consideração diversos fatores da evolução humana, condições sócio culturais e antropológicas e estão constantemente presentes na construção da sexualidade. 

Por isso, os tipos de sexualidade são muito abrangentes e podem surgir variações de acordo com o contexto da sociedade. Algumas delas são:

Heterossexual

Trata-se de um indivíduo que sente atração sexual, emocional ou afetivamente por pessoas do gênero oposto ao seu. Dificilmente heterossexuais precisam ter experiências com pessoas do outro sexo para se identificar como tal.

Homossexual (Gays e Lésbicas)

Uma pessoa homossexual se sente atraída sexual, emocional ou afetivamente por pessoas do mesmo sexo (ou gênero). 

Bissexual

Pessoas bissexuais sentem atração por pessoas de ambos os gêneros (feminino e masculino) de maneira emocional, afetiva ou sexual. Diferentemente do que muitos acreditam, dificilmente essa atração é 50% a 50% o interesse se manifesta de maneiras singulares em cada pessoa. 

Assexual

Pessoas que não sentem atração sexual por nenhum dos sexos, seja masculino ou feminino. É importante ressaltar que isso não necessariamente significa que assexuais não desenvolvam sentimentos amorosos e afetivos por outras pessoas, apenas não existe o desejo sexual.

Pansexual

Pansexuais rejeitam o conceito de dois gêneros. Isso significa que a atração sexual, emocional e afetiva por outros individuos independem de sua identidade de gênero ou sexo biológico.

 

PRECONCEITO POR ORIENTAÇÃO SEXUAL

Todas as pessoas que descobrem sua orientação sexual ou como é comumente chamado “saem do armario” estão sucetíveis a sofrer julgamento, preconceito, discriminação e em casos físicos, violência.

Essas violências físicas e psicológicas acontecem em seus locais de trabalho, escolas ou faculdades, na igreja e em suas relações sociais. Mas em uma dose de otimismo, pesquisas revelam que o apoio da família, amigos e a escola durante a descoberta, são pontos fundamentais e que contribuem de maneira expressiva na diminuição de impactos causados por essas vivências.

Crescer acreditando que o simples fato de ser você é errado, causa dúvidas e danos irreparáveis na saúde física e mental de quem se descobre com uma sexualidade diferente da heterossexual. O apoio e acolhimento é fundamental para deixar esse caminho menos solitário.

 

CASOS FAMOSOS DE PRECONCEITO

Agressão a gays com lâmpadas na paulista

Em 14 de novembro de 2010, três jovens foram agredidos por 5 homens (4 deles menores de idade na época) com golpes utilizando lâmpadas fluorescentes, na Avenida Paulista. 

O mais atingido foi Luís Alberto Betonio, que teve uma lâmpada quebrada no rosto em um ato cruel e puramente preconceituoso. Segundo testemunhas, os agressores teriam dito a Luís e às outras 3 vítimas, durante os ataques, termos pejorativos como "suas bichas" e "vocês são namorados", revelando que o ataques teve cunho homofóbico.

O caso tomou forte repercussão nacional, principalmente após a divulgação de um vídeo onde um dos agressores é visto estourando um bastão de lâmpada fluorescente na cabeça de uma das vítimas, sem nenhum motivo aparente.

Na época do crime, o menor responsável por atingir Luís com a lâmpada ficou 45 dias na Fundação Casa (antiga FEBEM). Em 2015, a Justiça condenou o maior de idade a uma pena de 9 anos de prisão por tentativa de homicídio triplamente qualificado por participação na agressão.

Os ataques causaram protestos de diversas entidades sociais e LGBT+ contra os acusados e a homofobia. 

Tiroteio em orlando

Um massacre em uma boate LGBT+ deixou marcas que até hoje ecoam em Orlando, na Flórida. O tiroteio aconteceu nos Estados Unidos, na boate Pulse, uma balada onde o público era quase exclusivamente LGBT+. 

O atirador abriu fogo dentro do local e acabou matando cerca de 50 pessoas e ferindo outras 53. O caso chocou o mundo e acendeu mais um alerta para a intolerância. O agressor morreu durante troca de tiros com a polícia. 

Caso Dandara

No dia 15 de fevereiro de 2017, Dandara dos Santos, uma mulher trans, de 42 anos, foi covardemente espancada por pelo menos dez homens, entre adolescentes e adultos. Após sofrer violência física e psicológica, todas registradas em vídeo que foi publicado e compartilhado nas redes sociais, Dandara foi erguida por seus agressores e colocada em uma carrinho de mão enquanto pedia pela vida utilizando o nome da mãe. Dezenas de moradores da região presenciaram as agressões, muitos incitaram ainda mais violência e nada foi feito para salvá-la.

O julgamento aconteceu no dia 5 de abril de 2018. Francisco José Monteiro, conhecido como Chupa Cabra, que foi condenado a 21 anos de prisão por ter sido autor de dois tiros contra a vítima; Jean Victor Silva Oliveira, Rafael da Silva Paiva e Francisco Gabriel Campos dos Reis foram condenados a 16 anos; Isaías da Silva Camurça, o Zazá, recebeu pena de 14 anos e seis meses.

Além deles, Júlio César Braga da Costa foi condenado a 16 anos de reclusão. O último acusado, Francisco Wellington Teles, de 51 anos, ficou foragido até o dia 15 de março de 2019, quando foi preso em Caucaia.

Esses são apenas três dos milhares de crimes cometidos diariamente contra a comunidade LGBT+. No Brasil, a cada 23 horas uma pessoa morre vítima de LGBTfobia.

 

PROBLEMAS PSICOLÓGICOS CAUSADOS PELO PRECONCEITO

Para entender melhor como o preconceito afeta diretamente a saúde mental das minorias sexuais, a teoria do minority stress (estresse de minorias, em português) explica essa tensão à qual a comunidade LGBT+ é sujeita. A teoria propõe que estresses sofridos de forma crônica por minorias, em decorrência de uma vida inteira de não-aceitação, rejeição, discriminação, estigma e violência, contribuem para que essa população tenha risco aumentado em sua saúde física e mental em relação ao restante do corpo social

Um estudo aponta que 30% das pessoas da comunidade LGBT+ possuem um diagnóstico de depressão e 47,5% de ansiedade. 

O distanciamento social causado pela pandemia resultou em uma piora na saúde mental dessas pessoas, A ausência de redes de apoio e a falta de políticas públicas mais práticas, causaram um aumento de 2% para as duas condições clínicas em comparação com a pesquisa realizada em 2020, que foi de 28% para depressão e de 45,3% para ansiedade

Além disso, a luta incessante por inclusão e constantes episódios de homofobia e transfobia fazem com que os jovens LGBT+ sejam mais suscetíveis a pensamentos suicidas. 

Os números são alarmantes e escancaram o estresse crônico causado por todo o preconceito imposto pela sociedade. A dúvida se serão aceitos e a falta de acolhimento podem levar a tragédias.

Quem pode ajudar?

Apesar da estrutura responsável por cuidar da saúde mental da população brasileira ser moldada por todas essas violências, ainda existem iniciativas público e privada que buscam dar suporte financeiro, psicológico e humanizado a vítimas de LGBTfobia, trazendo uma nova oportunidade de vida para essas pessoas.

ABGLT

A ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) foi fundada em 1995, e criou uma rede nacional que busca levar amplamente as necessidades LGBT+ ao governo federal. Inclusive, o site da associação, possui uma lista de diversas associações, grupos e entidades LGBT+ por todo o Brasil, incluindo cidades interioranas, afastadas de grandes centros.

Movimento D'ellas

O Movimento D'ellas atua em todo o Brasil proporcionando atendimento virtual, por telefone e presencial para a comunidade LGBT+ e conta com uma equipe voluntária de psicólogos e advogados.

Casa 1

A Casa 1 foi inaugurada no dia 25 de janeiro, dia do aniversário de São Paulo, a Casa é uma república de acolhimento de LGBTs expulsos de casa.

Também funciona como um centro cultural com salão de exposição, sala de aula, palestras e uma biblioteca aberta ao público.

Mesmo com políticas públicas e ONGS atuantes, o campo de atuação é grande, complexo e exige um trabalho contínuo. 

Portanto, é fundamental fortalecer iniciativas como essas e fomentar debates sobre saúde mental. Somente assim é possível conscientizar cada vez mais a comunidade LGBT+ da importância do autocuidado, principalmente com profissionais e instituições comprometidas em garantir um atendimento digno e humanizado.  

 

DEFINIÇÃO DE SEXUALIDADE

A definição de sexualidade é muito mais ampla e complexa do que costumamos enxergar. Não se trata apenas de uma questão biológica e muito menos está atrelada somente à reprodução, a sexualidade abrange aspectos individuais e singulares valiosos para a formação do sentir e pertencer de cada ser humano.

Dar valor a essas particularidades e entender como a sexualidade influencia todo um sistema é papel fundamental de todos nós e permite que tenhamos um olhar mais acolhedor com os outros e principalmente com nós mesmos.

Sexualidade não é só sobre sexo, mas é preciso ter um olhar atento a ele também. Na DYÔ, nós entendemos que ambos andam lado a lado. Nós, nos comprometemos a te mostrar como estimular o melhor da sua sexualidade e você, se encarrega de se encontrar e colher o melhor de cada experiência.

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