15/07/2022

Tudo o que ninguém te conta sobre o puerpério | DYÔ

TUDO O QUE NINGUÉM TE CONTA SOBRE O PUERPÉRIO

Está enfrentando essa fase ou já está chegando a sua hora de passar pelo puerpério? Neste artigo, a DYÔ separou informações importantes sobre esse tema e que podem te ajudar a ter um pós-parto mais tranquilo. Acompanhe!

 

O QUE É PUERPÉRIO?

O puerpério é a fase de pós-parto da mulher. Essa etapa vai desde o dia do nascimento do bebê até a volta regular da menstruação, que por sua vez, pode demorar até 45 dias para retornar dependendo de como é feita a amamentação. 

É comum que muitas mulheres achem que voltaram a menstruar antes do fim do puerpério, isso acontece devido às alterações hormonais, físicas e emocionais durante esse período.

O aparecimento de um líquido bem parecido com a menstruação é na verdade um resquício de sangramento provocado pelo parto, esse sangramento de lóquios é perfeitamente normal, se inicia de forma abundante e vai diminuindo aos poucos com o passar dos dias.

O puerpério é dividido entre três grandes etapas, são elas: o puerpério imediato, que tem início no 1º dia de pós-parto e fim ao 10º dia, o puerpério tardio que corresponde ao 11º e tem seu fim no 42º dia do pós-parto e por fim, o puerpério remoto que se inicia a partir do 43º dia do pós-parto.

O corpo feminino passa por muitas fases durante a vida reprodutiva da mulher, mas o que será que de fato acontece com o corpo durante o puerpério?

 

O QUE ACONTECE COM O CORPO DA MULHER DURANTE O PUERPÉRIO?

 

Seios mais rígidos

Mesmo que, durante a gravidez as mamas fiquem menos sensíveis ou sem sinais de desconforto, é comum que durante o puerpério os seios fiquem mais rígidos por conta do leite para amamentação.

Uma ótima opção para aliviar esse desconforto é utilizar compressas com água morna para aliviar a "pressão" nos seios e procurar amamentar o bebe com um intervalo de 3 horas.

Caso você não possa amamentar, seu médico pode indicar um medicamento para secar o leite. Além disso, será necessário substituir o leite materno por uma fórmula infantil, essa, deve ser indicada pelo pediatra. 

Abdômen inchado

Logo após o parto, o útero não volta ao seu tamanho normal imediatamente, ele na verdade, vai diminuindo ao longo dos dias e ganhando um aspecto mais flácido. 

Por isso, a barriga ainda permanece inchada e em alguns casos, pode haver um afastamento dos músculos da parede abdominal (diástase abdominal) que deve ser corrigida com alguns exercícios. 

Para corrigir isso, a indicação é amamentar enquanto se utiliza a cinta abdominal, pois ela faz com que o útero volte ao seu tamanho regular.

Além disso, fazer os exercícios abdominais corretos fazem com que a musculatura do abdômen se fortaleça e evita a flacidez na barriga.

Sangramento vaginal

Assim como mencionamos acima, pode haver uma certa confusão em relação às secreções expelidas durante o puerpério.

Essas secreções, vão saindo pouco a pouco do útero e por isso são constantemente associadas a menstruação. Mas, na verdade, esse sangramento é chamado de lóquios, ele é mais intenso nos primeiros dias e vai diminuindo até desaparecer por completo.

Para evitar desconfortos com essa secreção, utilize absorventes íntimos maiores e que tenham mais capacidade de absorção, também é recomendado estar sempre atenta ao odor e cor do sangue, se houver mau cheiro e cor vermelho vivo do sangue por mais de 4 dias, pode se tratar de uma infecção e será preciso ir ao médico. 

Cólicas

Ainda falando sobre a volta do útero ao seu tamanho normal, essa etapa também pode provocar cólicas, principalmente ao amamentar. Isso acontece devido às contrações que o útero faz para diminuir, essas contrações às vezes são estimuladas pelo processo de amamentação. 

Mas caso você esteja sentindo cólicas durante esse período, fique tranquila. O útero diminui cerca de 1 cm por dia, por isso, é muito provável que esse desconforto não dure mais que 20 dias. 

Assim como nas cólicas menstruais, a compressa morna sobre o abdômen também ajuda a aliviar as dores e trazer mais conforto durante a amamentação. 

Incontinência urinária

Essa é uma das queixas mais comuns no pós-parto, principalmente nos partos normais. Os sintomas de incontinência incluem, vontade repentina (e difícil de controlar) de urinar e perdas ou escapes de urina na calcinha.

Para driblar esse desconforto os exercícios de Kegel ou o pompoarismo são uma ótima maneira de retomar o controle da urina novamente. 

 

COMO O PUERPÉRIO PODE AFETAR A SAÚDE PSICOLÓGICA DA MÃE?

Passando para as alterações emocionais, o puerpério é uma fase bem sensível e delicada quando o assunto é a saúde mental da mulher.

Segundo um artigo publicado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)  fatores como "cansaço extremo, insegurança, o isolamento dos primeiros dias, possíveis dificuldades no processo de aleitamento e, principalmente, as oscilações hormonais associadas às emoções trazidas pelas novas experiências da maternidade estão entre as causas que contribuem para o surgimento de alguns distúrbios psiquiátricos.

Também conhecido como baby blues, a tristeza puerperal é o transtorno mental mais comum durante o puerpério. Ele é caracterizado por um curto período de oscilações emocionais, que geralmente acontece entre o segundo e o quinto dias após o parto, o baby blues é uma instabilidade emocional que acomete cerca de 50 a 80% das mulheres."

É importante ressaltar que o baby blues não é o mesmo que depressão pós parto, as principais diferenças entre ambos estão no tempo de duração e intensidade dos sintomas. Essa confusão acontece pelos sintomas serem bem semelhantes aos da depressão "comum", porém com questões relacionadas à maternidade como: culpa por não conseguir cuidar do bebê, maior sensibilidade emocional e choro contínuo. 

Seja qual for o distúrbio, sempre é necessário buscar acompanhamento e amparo para cuidar adequadamente de transtornos puerperais. Enquanto no baby blues a remissão, em sua grande maioria, é espontânea, na depressão pós-parto e na psicose puerperal, muitas vezes é necessário ter apoio psicológico de profissionais e, por vezes, tratamentos através do uso de medicamentos.

O artigo ainda reforça a importância de ações e acompanhamento durante o pré-natal como: ações educacionais que podem ajudar a gestante a se preparar para o período pós-parto e se conscientizar sobre os distúrbios puerperais que pode enfrentar, abordagem de questões referentes a mudanças psicoemocionais que ocorrem durante o ciclo gravídico-puerperal e a ocorrência de quadros como baby blues, depressão pós-parto e psicose puerperal.

 

COMO TER UM PUERPÉRIO MAIS TRANQUILO?

Ainda segundo a matéria, a importância de ações e acompanhamento é fundamental para reverter esse quadro e cuidar do bem-estar da mãe durante o puerpério:

"Ter uma rede de apoio no período puerperal é fundamental. Cercar-se de amigos e familiares queridos em quem se possa confiar é de extrema importância para atravessar esse momento de forma mais serena, principalmente quando transtornos psicológicos se apresentam. A presença de pessoas a fim de auxiliar com os cuidados da casa, preparando refeições ou lavando as roupas, por exemplo, proporciona à mulher mais tempo para se dedicar às necessidades do bebê e à criação de vínculos afetivos profundos com o novo membro da família, sem precisar preocupar-se com as tarefas cotidianas.  

É de extrema importância também que o grupo de indivíduos que cerca a puérpera e convive com ela diariamente ofereça amparo, compreenda que essa mulher pode atravessar um período de adaptação desafiador e crie um ambiente acolhedor, de escuta ativa, sem comparações ou cobranças, no qual a mãe sinta liberdade para partilhar suas emoções sem ser julgada. É relevante que ela não seja deixada como única responsável pelos cuidados com o bebê, devendo estar sempre na companhia de alguém que possa assumir a atividade, se for necessário."

 

 

O puerpério é o intervalo de tempo que tem início no nascimento do bebê e se estende até o 45° dia após o parto.

Esse é um período delicado, sensível e principalmente, de adaptação à uma nova realidade: a maternidade. O puerpério provoca uma série de alterações na mulher, que vão desde desconfortos e mudanças físicas até flutuações de humor e oscilações na saúde mental.  

Conhecer e reconhecer essas mudanças, ter uma rede de apoio e amparo profissional fazem toda a diferença quando o que se busca é um puerpério mais tranquilo.