22/11/2021

Evolução Do Papel Feminino Na Sociedade | DYÔ

EVOLUÇÃO DO PAPEL FEMININO NA SOCIEDADE

Mesmo que a evolução do papel feminino na sociedade esteja hoje em um momento de destaque, em algum momento da história a mulher começou a ser tratada como um objeto e considerada o sexo frágil. Apesar das diferenças biológicas entre os sexos, absolutamente nada comprova a inferioridade da mulher em relação ao homem, pelo contrário. A dor do parto por exemplo, demonstra a força e a resistência de uma mulher, mas há muito tempo tentam moldar um perfil feminino subserviente a ser seguido, com punições drásticas àquelas que se opõem.

 

“Basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados.”

- Simone de Beauvoir

 

Foram silenciadas, obrigadas a esconder até o próprio sangue menstrual, que é algo inerente à condição de mulher, para não serem consideradas bruxas e assassinadas. Colonizadas, estupradas.  Foi vetado o direito à educação, ao  voto, à escolha matrimonial, à sexualidade e tantas outras coisas.

Foram trancadas em casa e dada-lhes a missão de cuidar dos filhos e do marido, sem nenhum objetivo pessoal, aceitar agressões e abusos como algo natural. Qualquer feito tem sido intensamente repelido numa tentativa infrutífera de tentar apagar sua história.

Por muitos anos as mulheres não puderam ter acesso ao ensino superior, por exemplo. Hoje, as mulheres são maioria nas universidades. Há um maior percentual de mulheres com ensino superior, mas ainda assim recebem menor salário se comparado com o dos homens.

Muito já foi conquistado, mas ainda há um extenso caminho a ser trilhado, principalmente porque nenhum dos direitos obtidos estão garantidos, há todo momento tentam usurpá-los.

 

HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO FEMININA NA SOCIEDADE

 

“Revolução não significaria um ato de violência, mas uma mudança de consciência”. -Olympe de Gouges

 

Tentaremos aqui demonstrar brevemente a evolução feminina ao longo da história da humanidade. Comecemos do princípio. Há cerca de 200 mil anos atrás surgiu a espécie Homo Sapiens, o homem moderno. A espécie adquiriu o comportamento mais ou menos semelhante ao que conhecemos há cerca de 50 mil anos atrás. Esses homens e também mulheres, desenvolveram técnicas que ajudaram na sua sobrevivência, como a conquista do fogo, fabricação de ferramentas e desenvolvimento de técnicas agrícolas, e também a comunicação. Vários fatores fizeram com que a espécie se sobressaísse e se tornasse dominante no planeta.  Nenhum desses fatores foi dado como exclusivo aos homens, dessa forma, o sexo feminino sempre colaborou no processo de evolução da humanidade.

Algo que chama muito a atenção no que tange ao homem primitivo é o seu apreço pela arte, pelo registro das estações, rituais religiosos e fúnebres e sempre se fala em “homens das cavernas”, mas nada mostra que as pinturas rupestres eram feitas por homens.

Entre 40 mil anos atrás, que é quando data as mais antigas pinturas rupestre e 3000 a.c, que foi quando surgiu a escrita com os sumérios na Mesopotâmia,  há um enorme hiato histórico no que diz respeito à história da humanidade. Na mesopotâmia já pode-se observar a predominância de um sistema patriarcal, embora a religião de alguns desses povos tivesse mulheres como deusas poderosas, a quem eram atribuídas a origem do mundo, os poderes de cura e práticas médicas, e até mesmo a morte.  As mulheres podiam ter as mesmas ocupações que os homens, mas em menor escala. A grande maioria concentrava-se em serviços relacionados à arte e aos serviços domésticos.

No Egito Antigo, as mulheres tinham praticamente os mesmos direitos que os homens, podendo ocupar os mesmos cargos, mas em geral eram lhes atribuída a função de cuidadora, tecelã ou atuava na fabricação de cervejas.

Embora houvesse distinções entre as atribuições femininas e masculinas, talvez seja possível dizer que as mulheres passaram a ser enxergadas como sexo frágil durante a Idade Média, quando foram perseguidas e mortas pela santa inquisição. Foi nesse período que tudo foi lhes tirado, as práticas medicinais, o entendimento e domínio do próprio corpo. Foi por volta do século XVII que a imagem de Maria foi imposta como modelo de mulher a ser seguido, a virgem santa. Ao casar-se a mulher perdia seus direitos legais e passava a ser responsável pelo lar e pela família.

Da Idade Média, pulamos para a revolução francesa, no século XVIII. A revolução reivindicava resumidamente: liberdade, igualdade e fraternidade. Porém, a mulher não foi inclusa a esses direitos. Rousseau, um dos mais influentes filósofos da época, defendia a supremacia masculina. Para ele, as mulheres deveriam ser discretas e dedicar-se exclusivamente à maternidade. Marie Gouze, sob o pseudônimo de Olympe de Gouges, foi uma ativista política feminista que escreveu  a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, que reivindicava direitos civis e direito ao divórcio. Foi condenada à guilhotina após fazer críticas a Luís XVI. A Marcha das mulheres sobre Versalhes foi um marco na revolução francesa, onde várias mulheres protestaram pelo aumento do preço e escassez do pão. Houve um cerco ao palácio real, o que acarretou a o início de uma luta que deu fim ao absolutismo nesse país.

 

Evolução do papel feminino na sociedade e o movimento feminista

"Essa revolução só acontecerá quando todas as mulheres tiverem consciência de seus destinos deploráveis, e dos direitos que elas perderam na sociedade”.

- Olympe de Gouges

Como podemos ver no texto anterior, a luta feminina por direitos igualitários esteve presente desde que começou a ser imposto à mulher um papel de subserviência. Acredita-se que o Movimento Feminista em si tenha começado a ser mitigado a partir da Revolução Francesa, após a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que apesar de reivindicar o jargão liberdade, igualdade e fraternidade, excluía as mulheres a desses direitos, o que casou bastante indignação às mesmas, pois eram as principais atuantes na revolução. Dessa forma, foi escrita uma Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, para explicitar a luta dessa categoria. Como dito anteriormente, sua autora foi guilhotinada, assim como outras militantes desse período. No entanto, sua morte pôde ser considerada um marco no feminismo e dessa forma deu origem a diversos movimentos feministas posteriores.

Outro marco na luta feminista advém da revolução industrial, quando as mulheres tiveram que começar a trabalhar fora do ambiente domiciliar e ganhar menos que homens que exerciam as mesmas funções.

Em 8 de março de 1911, trabalhadoras que protestavam por melhores condições de trabalho em Nova York foram queimadas por conservadores, como forma de retaliação pelos protestos e greves. A partir de 1975, 8 de março foi instituído como Dia Internacional das Mulheres, que é uma data para lembrar a luta pela igualdade de gênero.

 

A EVOLUÇÃO DO PAPEL FEMININO NA SOCIEDADE NAS ÚLTIMAS DÉCADAS

“Não se nasce mulher, torna-se.”

-Simone de Beauvoir

Com muita luta e muito derramamento de sangue as mulheres conseguiram garantir alguns direitos básicos, que as dessem alguma igualdade em relação aos homens, ou mesmo as ajudasse manter-se vivas e garantir punição a quem lhes ferisse, como por exemplo a criação de leis como Maria da Penha e do Feminicídio. Mas embora existam leis, ainda há muito a ser feito, principalmente no que diz respeito a mudança de mentalidade de parte da sociedade como um todo que ainda carrega consigo ideias retrógradas e sexistas, que coloca em risco a qualidade de vida e segurança das mulheres. Abaixo seguem algumas conquistas alcançadas nas últimas décadas:

 

1920

Marcado pelo combate à opressão das mulheres na URSS, as manifestantes iam a locais públicos despidas e pintadas com protestos. Acontece nos Estados Unidos o movimento das sufragistas. Início da primeira onda feminista.

1940

Entram nas pautas do movimento a legalização do aborto e o fim da violência sexual. Em 1945 a Carta das Nações Unidas reconhece em documento internacional a igualdade de direitos entre os sexos.

1960

Início da segunda onda feminista. Além das demandas anteriores, passou a ser exigido a criação de locais para acolhimento de vítimas de violência doméstica e sexual e mudanças nas leis de custódia e divórcio. Também passou a ser discutido o estupro conjugal.

1980

O movimento passa a ter discussões intra-feministas, com temas como sexualidade e pornografia, que levou à terceira onda feminista na década de 90.

2000

No Brasil, foram criadas as leis Maria da Penha (2006) e do Feminicídio (2015). Em 2010, uma grande evolucao feminina na sociedade brasileira, foi eleita a primeira presidente mulher do Brasil: Dilma Roussef.

2020

Em 2021 foi criada a lei pra prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. Também em 2021 é aprovada a lei Mariana Ferrer que coíbe ofensa a vítima durante julgamento.

 

EVOLUÇÃO DO PAPEL FEMININO NA SOCIEDADE NA HISTÓRIA DO MUNDO

“Sou uma, mas não sou só.”

- Trecho da música povoada, de Sued Nunes

Não, as mulheres não são o sexo frágil. São fortes e determinadas. Algumas grandes mulheres que marcaram a história:

Cleópatra (69 a 30 a.C.)

Governou o Egito por mais de 21 anos. Usava sua imagem para sua autopromoção, e demonstrava poder. Fez tudo possível para livrar seu país do controle de Roma. Após perceber que seu país seria tomado pelos romanos, deixou-se ser picada por uma das cobras mais venenosas para não ser submissa ao novo governo.

Rosa Parks (1913-2005)

Lutou contra a segregação racial nos Estados Unidos. Seu ato icônico foi recusar-se a ceder seu lugar no ônibus a um homem branco, motivo pelo qual foi presa, o que causou grande indignação entre militantes anti segregacionistas que deram início a uma onda de protestos, inclusive no ônibus em que o fato ocorreu.

Maria da Penha (1945)

Mulher que travou batalha judicial para que houvesse punição severa do seu agressor, que na época era seu marido, que além de agredi-la diversas vezes, tentou matá-la pelo menos duas vezes, deixando-a paraplégica. Graças a sua luta foi criada a lei Maria da Penha que ajuda as mulheres a saírem do contexto de violência doméstica, resguardando sua segurança e também serve para punir de forma mais justa e efetiva seus agressores.

Nise da Silveira (1905-1999)

Psiquiatra que revolucionou o tratamento de doenças mentais no Brasil. Atuou combatendo tratamentos agressivos e violentos, implementando a arte como meio de cura e reconexão do paciente com a realidade e também defendia os benefícios gerados pela interação desses com animais, a quem ela chamava de co-terapeutas.

 

QUAIS AS LUTAS DO MOVIMENTO FEMINISTA HOJE?

No Brasil, o feminismo conseguiu importantes avanços para a busca por igualdade entre os sexos. Porém, embora tenham sido criadas leis que visam a segurança das mulheres, vários direitos foram conquistados colocando-as legalmente lado-a-lado com os homens, o retrocesso persiste na mente das pessoas. Dessa forma, é necessário buscar formas de pôr em prática as leis que beneficiam e asseguram as mulheres, parar de aceitar piadas e brincadeiras carregadas de sexismos, reprimir práticas machistas.

Outro ponto a ser levantado é de que a história é cíclica, e atualmente vivemos na era do negacionismo e das “fakenews”, bem como a ascensão do conservadorismo e da desinformação. É preciso estar vigilante para a manutenção dos direitos conquistados e implementação prática dos mesmos para que possam ser usufruídos de forma a propiciar uma sociedade mais justa e igualitária.

 

QUAL A MAIOR LUTA DAS MULHERES?

“A luta será árdua pois os direitos não se negociam.”

- Desconhecido

As lutas continuam quase as mesmas desde a Idade Média, mas com diferentes roupagens. Atualmente se fala muito em empoderamento feminino, mas é preciso ter olhar vigilante a esse tipo de discurso porque muitas vezes ele vem carregado de imposições que apenas sobrecarregam as mulheres.

O cenário atual é de drástica mudança, muitas coisas mudaram de forma positiva para as mulheres e demais minorias, e estamos vivendo uma retaliação de grupos conservadores que repudiam essas mudanças.

A mulher multi tarefa

O direito ao trabalho, a conquista da independência financeira e o direito à propriedade das mulheres não lhes exime da obrigação social de cuidadora e responsável pelas funções domésticas. Além disso, as mulheres são bombardeadas por cobranças para que sigam um padrão estético cada vez mais inalcançável. Dessa forma, a mulher precisa ser uma profissional de sucesso, uma mãe e esposa zelosa e carinhosa, além de sexy e boa dona de casa. Isso tem feito com que mulheres tenha uma jornada diária de trabalho de aproximadamente 18 horas, e tudo isso é vendido num discurso travestido de empoderamento feminino.

A desigualdade da mulher no mercado de trabalho

Embora as mulheres sejam a parte da população com maior formação acadêmica, ainda são a menor parte em cargos de chefia e com salário proporcionalmente menor ao dos homens. não há outra explicação para esse cenário além do machismo enraizado, que inclusive chegou a ser reforçado pelo atual presidente da república. Uma realidade triste e dura.

Evolução do papel feminino na sociedade

“Eu não me vejo na palavra, fêmea alvo de caça, conformada, vítima. Prefiro queimar o mapa, traçar de novo a estrada, ver cores nas cinzas e a vida reinventar.”

- Trecho da música Triste, Louca ou má, da banda Francisco, El Hombre.

As mulheres há milhares de anos vêm sendo subestimadas, perseguidas, estupradas, torturadas e assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. Mesmo com tanta dor carregada a longo da história, a evolução do papel feminino na sociedade e seus feitos são impressionantes, e serão lembrados e semeados pelas próximas que virão, e pelas que seguem na luta, que não se calam e não se submetem à loucura imposta pelo patriarcado.